Foto: Conjunto IAPI, 1950. 

 

CONJUNTO CONFISCO:

1. ORIGEM:

O Conjunto Confisco nasceu em 1988 e está localizado na Regional Pampulha, divisa com o município de Contagem. Segundo moradores mais antigos, o terreno era de propriedade de um homem chamado Luciano Farah. Num primeiro momento, sessenta famílias de várias partes da cidade e que desejavam uma moradia, ocuparam o espaço, aguardando que a Prefeitura de Belo Horizonte cedesse material para iniciarem a construção das casas. Logo depois, chegaram mais cem famílias provenientes do acampamento do Conjunto Mariquinhas, que ocuparam as áreas remanescentes, as mais altas e acidentadas do terreno.

De acordo com moradores, o nome do bairro não foi escolhido pelas famílias, que gostariam que a comunidade se chamasse bairro São Jorge, por causa de um morador importante para o movimento comunitário. Mas eles contam que a Prefeitura, por sua vez, optou pelo nome Confisco.

Segundo Roseli Martins Torres, uma das moradoras mais antigas da região e vice-presidente da Associação Pró-Melhoramentos do Conjunto Confisco, a área foi cedida pelo Governo do Estado e na época da ocupação houve alguns conflitos devido à discriminação na entrega do material de construção aos moradores. De acordo com ela, quem era originário da Fazenda Mariquinhas demorou mais a receber o material, gerando desentendimentos e insatisfação na comunidade.

As primeiras moradias eram improvisadas em lonas e as condições de habitação eram insuficientes, havia carência de água, luz, rede de esgoto, transportes e pavimentação. Ela fala também da presença de um enorme buraco no loteamento. A área servia como depósito de lixo, já que não havia coleta. De acordo com Roseli, era comum a presença de ratos, baratas, cobras, escorpiões e mosquitos. Além do mais, o buraco também dificultava que os moradores subissem o terreno a pé e impedia o trânsito de carros. “Se alguém adoecia, precisava transportar em carrinho de mão”, conta.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

As inúmeras dificuldades existentes no começo da ocupação fizeram da solidariedade um traço marcante na comunidade do Conjunto Confisco. De acordo com moradores antigos, quando houve desabamentos, as famílias se abrigaram umas nas casas das outras. Este mesmo sentimento de coletividade fez com que a comunidade se mobilizasse para conquistar melhorias. A princípio foi formada uma comissão de quinze pessoas que buscava apoio junto ao governo estadual, prefeitura, CEMIG, Copasa para a obtenção de infra-estrutura básica.

Segundo os mais antigos, a primeira associação de moradores criada para representar, de fato, os interesses da comunidade foi a Associação Pró-Melhoramentos do Conjunto Confisco, criada em 1993. Através de muitas reuniões e comparecimento no Orçamento Participativo, hoje a comunidade se orgulha das lutas travadas e vitórias alcançadas no que consideram, relativamente, pouco tempo de existência. O buraco, que antes abrigava lixo e insetos, hoje é uma bela praça de lazer, com árvores preservadas, quadras e campo de futebol. A Praça Confisco foi viabilizada por recursos do OP e atualmente é o ponto de encontro dos moradores que conversam com os amigos, praticam esportes e levam as crianças para brincar no local.

Hoje a comunidade possui água tratada, rede de esgotos, ruas pavimentadas, escolas, igrejas e posto de saúde. Segundo Maria das Graças Silva Ferreira, conhecida como Graça, a presidente da Associação Pró-Melhoramentos do Conjunto Confisco, existem ainda muitos problemas a serem sanados, como por exemplo a obtenção do título de propriedade para as famílias, batalha que já está em andamento há dez anos.

A localização do Conjunto, que fica desmembrado em duas partes, uma pertencente a Belo Horizonte e outra a Contagem, também configura um dificultador do diálogo entre comunidade e poder público. O posto de saúde, por exemplo, não atende toda a população do Conjunto Confisco, os moradores localizados em Contagem ficam sem atendimento, tendo que deslocar-se para bairros mais distantes.

Os moradores entrevistados apontaram demandas por investimentos na área sócio-cultural e carência de atividades voltadas para crianças e adolescentes da comunidade. A comunidade hoje conta com um parque, área na qual podem ser realizados shows e apresentações artísticas.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 207.315 m²;
Localização: Regional Venda Nova, bairro Jardim Leblon;
Número de domicílios: 2.578;
População total residente: 7.669 pessoas;
Taxa de alfabetização: 82,8% das pessoas acima de 5 anos;
Esgotamento sanitário: 86,5% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial;
Abastecimento de água: 98,5% abastecidos através de rede geral;
Coleta de lixo: 99,6% coletados por serviço de limpeza.

CONJUNTO FELICIDADE:

1.ORIGEM:

O Conjunto Felicidade se formou em 1987 no loteamento construído sob o terreno da antiga Fazenda Tamboril, desapropriada pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em 1986. Está localizado na região norte de Belo Horizonte, área que concentra vários conjuntos habitacionais para a população de baixa renda de BH. O assentamento foi promovido pela Secretaria Municipal de Ação Comunitária (SMAC), na Administração Sérgio Ferrara, com recursos da Secretaria Nacional de Ação Comunitária (SEAC).

De acordo com lideranças comunitárias, a ocupação foi motivada por reivindicação da Associação de Moradores de Aluguel de Belo Horizonte (AMABEL). Os lotes foram doados à população inscrita e distribuídos através de um sorteio feito pela AMABEL, com a ajuda do Padre Piggi, que também atuava na região do 1º de Maio. Ocuparam o local famílias dos bairros dos 1º de Maio, Arão Reis, Suzana, Floramar, São Bernardo, Lagoa e região, indicadas pela AMABEL e pelo Padre Piggi. Moradores do Conjunto contam que Padre Piggi teve papel fundamental, na atuação junto AMABEL e a PBH, desde a desapropriação do terreno até à formação do loteamento. Na época, a atuação da AMABEL na área fez com que o Conjunto fosse apelidado de MABEL.

Os primeiros moradores do local conseguiram materiais de construção doados pela PBH e pelo Governo Federal, através da atuação da Associação dos Moradores do Bairro Felicidade (ABAFE), criada em 16 de março de 1987, a partir do desejo de 30 famílias em manter o apadrinhamento de seus filhos pelo Fundo Cristão. As moradias foram construídas em regime de semi-multirão, juntamente com dois galpões, conhecidos popularmente como galpões azuis, que serviam para estoque dos materiais de construção. Atualmente, funcionam nesses locais duas entidades, o Núcleo de Apoio à Família (NAF/PBH) e a ABAFE.

2. DESENVOLVIMENTO/INRA-ESTRUTURA:

De acordo com a URBEL o loteamento iniciou com cerca de 3.000 habitações, instaladas em lotes de 160 m2. A ocupação foi dividida em quatro setores, sendo que o primeiro abarcava as ruas de um a dez, o segundo da rua 11 a aproximadamente 35 e os setores três e quatro até a rua 68. Após a implantação, o Conjunto Felicidade sofreu ocupação desordenada, inclusive com expansão e invasões em áreas verdes e institucionais. Em conseqüência, até hoje as escrituras não foram repassadas para os moradores, porém de acordo a URBEL o processo está em fase de regularização fundiária, tendo sido aprovado o parcelamento em 24 de Agosto de 2005, com o nome de Bairro Jardim Felicidade.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 793.641 m²
Localização: Regional Norte, junto aos bairros Tupi e Floramar
Número de domicílios: 4516
Domicílios não residenciais: 206
População total residente: 17052
Taxa de alfabetização: 83%
Esgotamento sanitário: 94% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 92,7% abastecidos através de rede geral da Copasa
Coleta de lixo: 98,7% coletados por serviço de limpeza

CONJUNTO IAPI:

1. ORIGEM:

Localizado na Av. Antônio Carlos, aos pés da Pedreira Prado Lopes, o Conjunto IAPI teve sua construção iniciada em meados da década de 40, na gestão do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitscheck, que doou o terreno de 75 mil metros quadrados, e concluída no início da década de 50, com 928 apartamentos de um, dois e três quartos, para abrigar cerca de 5 mil pessoas.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Alguns apartamentos preservam até hoje materiais de construção originais, como vasos e bidês trazidos da Inglaterra e peças hidráulicas polonesas.

Construído como uma alternativa para o problema de moradia na capital, sobretudo para abrigar operários que moravam nos morros próximos, e também como tentativa de ordenar a região da Lagoinha, o Conjunto IAPI reforçou o processo de verticalização da capital. Em seguida veio o Edifício Acaiaca, na Av. Afonso Pena, e a primeira estação rodoviária da cidade.

Começava a modernização da arquitetura belo-horizontina. Mas a expansão urbana desordenada não acompanhou os ideais de Juscelino Kubitschek.

Hoje, os que se orgulham de morar no IAPI dividem espaço com os que não escondem o medo de serem atingidos por balas perdidas da Pedreira Prado Lopes.

CONJUNTO MARIQUINHAS:

1. ORIGEM:

Numa área da região Norte, localizada entre os bairros Juliana e Satélite, está localizado o Conjunto Mariquinhas. Segundo Paulo Versiani, líder comunitário e coordenador dos núcleos do Movimento dos “Sem-casa”, a origem do nome está relacionada ao curioso fato da área ter sido uma fazenda, de propriedade de três irmãs solteironas. Elas foram apelidadas de Mariquinhas pelas crianças, que atravessavam o terreno para chegar à escola, sendo chamadas a atenção com freqüência.

De acordo com pesquisa da URBEL - Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, a primeira ocupação realizada no Conjunto Mariquinhas, em sete de janeiro de 1990, contou com a participação de cerca de 550 famílias. Estas famílias eram, em sua maioria, originárias do bairro 1º de Maio. Após uma semana de estadia, em que foi obtida uma autorização provisória de ocupação da área junto à prefeitura, as famílias foram retiradas do local pelo batalhão de choque da Polícia Militar, enviado pelo Governo do Estado.

Sem ter para onde ir, as famílias ocuparam a Igreja São José, onde permaneceram por 12 dias. De acordo com a URBEL após negociações com o Estado, através da COHAB MG – Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais, 350 famílias foram assentadas no Confisco e 158, no Ribeiro de Abreu.

Segundo moradores mais antigos, a luta pela área de Mariquinhas era representada tanto pelo Movimento dos “Sem-casa” do núcleo 1º de Maio, quanto pelo grupo do bairro Jaqueline e região, cuja representante era Dona Inês. Nas reuniões do Clube das Mulheres do bairro Jaqueline, a falta de moradia era o principal eixo de discussão.

Conforme dados fornecidos pela URBEL, a desapropriação da área, processo iniciado em 1988, através da luta do grupo do bairro Jaqueline, se efetivou em maio de 1990. Apesar desta conquista, a construção das casas foi interrompida, devido à sucessão do governo estadual. Diante da dificuldade de moradia, foi organizada uma nova ocupação de cunho simbólico. O objetivo da ação era sensibilizar as autoridades do poder público para a questão. A manifestação não obteve sucesso, sendo dispersa pela chegada de policiais.

A retomada das negociações com a COHAB aconteceu após a ocupação das escadarias da Igreja de São José, em 22 de julho de 1991, onde os manifestantes permaneceram por 30 dias. De acordo com a Urbel, a COHAB indicou oito áreas para ocupação provisória, enquanto as casas no Mariquinhas não ficassem prontas. O local escolhido foi a Fazenda Marzagânia, próxima a Sabará – MG, para onde se deslocaram, em 22 de agosto de 1992.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Como Marzagânia ficava distante do centro da cidade e a infra-estrutura era precária, foi tomada a decisão de mudança imediata para o Mariquinhas. Já no local, os novos habitantes acamparam sob lonas até o término das construções. Neste período de acampamento, os moradores organizaram um mutirão para limpeza da área, que abrigava inclusive cobras. O Corpo de Bombeiros foi chamado para fazer a queima do lixo, enquanto a COHAB foi responsável pela construção de tanques e chuveiros coletivos com água potável, instalações sanitárias e iluminação, melhorando as condições das famílias acampadas até a entrega das novas moradias.

Segundo Versiani, “A infra-estrutura e urbanização foram conquistadas em 1993, quando a prefeitura assumiu a responsabilidade de financiar o material de construção das casas, saneamento através da implantação das redes de água, luz, esgoto e pavimentação. As famílias construíram as casas através de ajuda mútua entre os moradores.

Atualmente a principal reivindicação é o título definitivo de propriedade junto ao Governo do Estado e à Prefeitura. Paulo Versiani afirma também que existe, hoje, um desejo dos moradores de mudar o nome do Conjunto Mariquinhas. De acordo com ele, parte da comunidade acredita que Mariquinhas seja pejorativo. O novo nome deverá ser escolhido através de um plebiscito.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 89.074 m²
Localização: Regional Norte, próximo ao bairro Juliana
Número de domicílios: 960
População total residente: 4.224 pessoas

CONJUNTO MARIANO DE ABREU E VILA BOA VISTA:

1. ORIGEM:

O Conjunto Mariano de Abreu e a Vila Boa Vista estão localizados na região Leste de Belo Horizonte. Até o ano 2000, o acesso à região era precário, mas a canalização do Rio Arrudas, a extensão da Avenida dos Andradas e a construção do Metrô foram fatores que facilitaram a integração da área.

A Vila Boa Vista está localizada entre os bairros São Geraldo e Boa Vista e sua ocupação foi iniciada em 1940. É conhecida também como Parque Horto. Sessenta e seis anos após o início da ocupação, a vila ainda não possui equipamento comunitário, área de lazer e igreja católica. Como local de expressão religiosa existe somente uma igreja evangélica, localizada na Rua Rita Marcelina.

A comunidade da Vila Boa Vista utiliza o posto de saúde do Conjunto Mariano de Abreu, o que obriga os moradores a deslocarem para a comunidade vizinha para receber atendimento.
A primeira associação de moradores criada na região foi a AMA - Associação dos Moradores do Mariano de Abreu e do Parque Horto e nasceu em 1980. Nesta época havia muitos desmoronamentos de casas e existiam áreas de risco iminente. O desejo da prefeitura era levar as famílias para o Conjunto Palmital, em Santa Luzia, e Morro Alto, em Vespasiano. No entanto, os moradores não aceitaram a proposta e lutaram para permanecer na região, organizando-se numa associação informal. Nesta época, o Conjunto Mariano de Abreu ainda não existia.

No dia cinco de janeiro de 1984 foi realizada a primeira ocupação de terra em Belo Horizonte após o Golpe Militar, numa área do Bairro Boa Vista, próxima à pedreira, chamada Mata do Inferno. Em 23 de fevereiro de 1985, data da realização da primeira edição do Festival de Música Rock In Rio, no Rio de Janeiro, foi organizado o mutirão para a construção das casas do Conjunto Mariano de Abreu, motivo pelo qual o conjunto foi apelidado popularmente como Rock In Rio.

Para pressionar o poder público a construir do conjunto, foi fundada em 27 de agosto de 1985 outra entidade, a Associação Comunitária e Habitacional Cinco de Janeiro, em homenagem à data da ocupação do local, em atividade até os dias atuais.

De acordo com depoimentos de moradores mais antigos, o Conjunto Mariano de Abreu foi ocupado por famílias vindas de várias áreas de risco de Belo Horizonte, existentes em locais como Nova Granada, Alto Vera Cruz e Favela do Rio Arrudas. As pessoas que chegavam ao local, em sua maioria desempregados, não tinham condições seguras de moradia e precisaram começar do zero a construção do Conjunto. A área era toda coberta por vegetação e não havia água, luz ou ruas pavimentadas, as primeiras moradias eram improvisadas debaixo de lonas.
Na administração do prefeito Sergio Ferrara o conjunto foi construído em sistema de co-gestão entre prefeitura e moradores. Como alternativa de fonte de renda aliada à necessidade de estabelecer moradia no local foi realizado um grande mutirão para a construção das casas. Homens e mulheres quebravam pedras na pedreira com marretas que pesavam entre oito a doze quilos. Muitas mulheres que trabalharam na construção do Conjunto, posteriormente, foram encaminhadas pela Prefeitura para trabalhar na SLU, devido ao fato de o trabalho na pedreira exigir muito esforço físico.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

A luta da Associação dos Moradores do Mariano de Abreu e Vila Parque Horto aconteceu entre 1980 e 1992, e estagnou devido ao falecimento de membros da diretoria. Em 2000, surgiu a Associação de Moradores da Vila Parque Horto. A entidade era presidida por Edson Pereira e depois pelo Sr. Doca, que faleceu. Com a morte de Sr. Doca, os integrantes da associação interromperam os trabalhos em 2003.
Recentemente foi criada a ASCOVIBV - Associação Comunitária da Vila Boa Vista, registrada formalmente em 24/06/06. As reuniões acontecem na casa do atual presidente Sílvio Omar de Queiroz, a residência funciona como sede provisória para a associação. Segundo o presidente da ASCOBIBV, a associação foi registrada com nome diferente do original porque a área de abrangência é limitada à Vila Boa Vista, tendo o Conjunto Mariano de Abreu a sua própria entidade representativa. Os interesses em conquistar melhorias nas áreas de moradia, cultura, lazer e saúde continuam em pauta nas reuniões. Hoje as associações trabalham fomentando um diálogo de troca de conhecimentos, para gerar benefícios tanto para a Vila Boa Vista quanto para o Conjunto Mariano de Abreu.
De acordo com Sílvio Queiroz, em 2004 as duas comunidades conquistaram recursos através do Programa de Moradia Melhor de Intervenção em Área de Risco, do Ministério das Cidades. No entanto, os recursos para obras de tratamento de encostas foram utilizados somente para o Conjunto Mariano de Abreu, para retirar as famílias da área de risco conhecida como Galpão, ocupada desde 1975. Atualmente ainda existem famílias no local que serão beneficiadas pelo PROAS - Programa de Remoção e Reassentamento em Função de Obras Públicas, da Prefeitura de Belo Horizonte. O PROAS é responsável pela retirada de famílias de locais onde serão realizadas obras públicas e pelo reassentamento dessas pessoas. Os beneficiados serão orientados na compra de novas moradias.

Segundo dados da URBEL – Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, existe ainda um Galpão, ladeado por rochas, edificado pelo poder público na época da construção do Conjunto Mariano de Abreu. O local é reservado para áreas verdes e tinha como destinação prevista um campo de futebol e uma área de lazer. Em 1988/89 ocorreu uma grande enchente e o referido galpão foi utilizado para abrigar moradores que perderam suas casas com as chuvas.

Segundo Marizete Amaral Leão, que preside a Associação Comunitária e Habitacional Cindo de Janeiro, do Mariano de Abreu, houve uma tentativa de se implantar no local uma gráfica para geração de trabalho e renda. A estrutura da gráfica foi montada com recursos da Prefeitura, porém não chegou a funcionar devido a problemas de prestação de contas.

Desde 2002, funciona no galpão o Qualificarte II, equipamento que funciona sob gestão da PBH – Prefeitura de Belo Horizonte e oferece cursos de qualificação profissional para pessoas que são assistidas por programas e instituições como NAF – Núcleo e Apoio à Família, Bolsa Moradia, República Reviver, Programa Liberdade Assistida e também cidadãos originárias de abrigos. Antes disso, o espaço foi esporadicamente ocupado por famílias que perdiam suas casas em razão de chuvas ou risco geológico.

Ainda hoje, a comunidade tem algumas casas em áreas de risco. Em 2006, obras de tratamento de encostas foram iniciadas com recursos da Prefeitura de Belo Horizonte.
Outra conquista da ASCOVIBV foi através do Orçamento Participativo, com a abertura da Rua Rita Marcelina e da Rua Copéia. As obras serão iniciadas assim que as famílias forem reassentadas em outro local e para isso estão sendo feitas negociações.

A Vila Boa Vista ainda apresenta problemas na rede de esgoto que foi construída precariamente pelos próprios moradores. Há locais como na Rua Tucumã, Beco Florestal, Rua Itaité e Rua Copéia onde corre esgoto a céu aberto. Há um trecho da Rua Tucumã que foi aberta sem infra- estrutura de esgoto e que os moradores reclamam muito. A Vila Boa Vista demanda ainda a eliminação de áreas de risco, abertura de ruas, pavimentação e drenagem, implantação de equipamento de saúde e área de lazer.

Entre as principais necessidades expostas pela comunidade do Conjunto Mariano de Abreu, atualmente, estão a eliminação de áreas de risco, implantação de programas sociais voltados para jovens e crianças, realização de cursos profissionalizantes e diminuição da violência.
Em termos de infra-estrutura e saneamento básico, as maiores dificuldades encontram-se na Rua Madre Isabel Tejero, Rua Cinco de Julho e Beco da Paz, onde faltam redes de esgoto.

Na área cultural, há a demanda pela implantação de uma biblioteca ou centro cultural. O Conjunto possui como área de lazer e convívio social o Espaço BH Cidadania, localizado na Rua Cinco de Janeiro, nº115, composto por campo de futebol, arquibancada, playground e aparelhos de ginástica. O Mariano de Abreu é equipado ainda com Posto de Saúde, três escolas municipais e uma escola estadual, que atende também moradores do entorno.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área:
Conjunto Mariano de Abreu: 145.337 m²
Vila Boa Vista: 33.046 m²
Localização: Regional Leste, vizinhos ao bairro São Geraldo.

CONJUNTO SANTA MARIA:

1.ORIGEM:

O que hoje é conhecido como CONJUNTO SANTA MARIA, constitui
área de um conjunto habitacional com esse nome, além de englobar parte
da VILA LEONINA(Chácara Leonina).
À época da construção do Conjunto Habitacional Santa Maria, onde
hoje existe a Avenida Raja Gabáglia, havia uma estrada de terra que
ligava Belo Horizonte a Nova Lima, com trânsito predominante de
carroças.

Antigos moradores contam que em 1951, só havia na região da
atual VILA ANTENA, três casas e uma pequena mercearia. O Conjunto
Santa Maria foi criado, entre 1958 e 1960, pelo Departamento de Bairros
Populares(DPB), órgão da Prefeitura de Belo Horizonte à época.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

A partir de 1960, a ocupação da VILA LEONINA foi intensificada.

Nesta época ainda haviam poucas moradias no local. No ano de 1968,
intensificou-se o adensamento da Vila com a ocorrência de intenso fluxo
migratório.

Um dos fatores de atração para o aglomerado foi o depósito
de lixo da Prefeitura ali instalado.

A partir de 1981, a invasão no local
aumentou, adensando em muito a Vila e toda a região do Morro das
Pedras.

CONJUNTO TAQUARIL:

1.ORIGEM:

O Conjunto Taquaril está localizado na região leste de Belo Horizonte, entre os bairros Alto Vera Cruz, Granja de Freitas e a divisa com o Município de Sabará. A ocupação do local teve início em 1981, numa área que pertencia a CODEURB – Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado de Minas Gerais e parcelada em sítios. Segundo o Plano Global da Urbel, o Conjunto Taquaril é dividido em 14 setores, sendo que parte do setor 12 e os setores 13 e 14 pertencem à região conhecida como Castanheiras, município de Sabará.

Segundo moradores mais antigos da comunidade, por volta de 1984, através do CAC-AVC – Centro de Ação Comunitária Alto Vera Cruz, iniciou-se um grande movimento de luta pela moradia no Alto Vera Cruz, na época organizado por Paulo Augusto dos Santos, hoje vereador, conhecido como Paulão. Este movimento reuniu cerca de oito mil famílias, vindas de todas as regiões de Belo Horizonte. Foram meses de luta, em que o grupo ia a pé do Alto Vera Cruz até às portas da Prefeitura Municipal ou até o Palácio da Liberdade. Líderes comunitários contam que durante estas caminhadas ocorreram repressões dos policiais e sofrimento.

Em 1987, a Prefeitura de Belo Horizonte, após a reivindicação do movimento dos “sem-casa”, parcelou novamente a área dos sítios do terreno da extinta CODEURB em lotes de 150 m2 para atender a mais ou menos duas mil famílias. Segundo Sr. Oswaldo Lopes Pedroso, as famílias precisavam construir suas casas e se mudar num prazo de apenas três meses, daí os moradores organizaram grupos de trabalho para limpar os terrenos e construir as casas em mutirão. Nesta época foi fundado o Centro Comunitário Pró-Construção e Desenvolvimento do Taquaril, tendo à frente Josefina Ana da Silveira Lopes, a Jô.

Segundo Jô, que gosta e tem um carinho especial pelo lugar onde mora, “o Taquaril foi construído pelas mulheres, pois os homens iam trabalhar e as mulheres ficavam no bairro trabalhando na construção das casas”. Ela conta também que para que chegasse a energia elétrica no bairro foi uma luta, e eles precisaram colocar nomes nas ruas num tempo recorde, pois, caso contrário, a CEMIG não ligaria a luz. A solução encontrada pelos moradores foi denominar as ruas com nomes de bairros da cidade, como Mangabeiras, Esplanada, Salgado Filho, Céu Azul, União, Gameleira, Funcionários e outros. Depois de muita luta, os moradores foram conquistando os serviços básicos como redes de água, saneamento, escolas públicas e postos de saúde.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Após a ocupação inicial, a área do conjunto Taquaril cresceu desordenadamente, com ocupações em áreas verdes e institucionais, margens de córregos e outras consideradas áreas de risco geológico eminente, problema agravado pelo solo filitoso do local. O adensamento também se deu pelo subdivisão informal de lotes, que atualmente comportam duas ou mais famílias cada.

Considerando sua complexa problemática urbanística e social, o Conjunto foi objeto de um Plano Diretor próprio, elaborado pela URBEL em 1995 e atualizado em maio de 2001, que apontou a necessidade de grande número de remoções na área e um grande número de intervenções urbanísticas. Entretanto, ainda não há recursos para implantação destas propostas, encontrando-se em fase de negociações entre URBEL/PBH e Banco Mundial a inclusão do Conjunto no Programa Vilas Urbanizadas.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 1.042.483 m²
Localização: Regional Leste, na divisa com o município de Sabará
Número de domicílios: 4.229
População total residente: 17.712
Taxa de alfabetização: 81,8%
Esgotamento sanitário: 53% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 97,5% abastecidos através de rede geral da Copasa
Coleta de lixo: 75,4% coletados por serviço de limpeza

O programa Vila Viva, que vem transformando a realidade dos moradores de vilas e favelas de Belo Horizonte, registrou avanços expressivos nos últimos dois anos. Desenvolvido em parceria com o Governo Federal por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Caixa Econômica Federal e recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de contrapartida municipal, o Vila Viva já se tornou referência para outras cidades do país e do exterior e recebe investimentos de R$ 1,15 bilhão. Novos empreendimentos concluídos foram entregues em dezembro de 2010, durante as comemorações do aniversário de Belo Horizonte, incrementando ainda mais o saldo positivo do programa.

O perfil dos aglomerados e vilas da cidade que contam com o Vila Viva já está mudando com as obras de saneamento, remoção de famílias de áreas de risco geológico e trechos de obras, construção de unidades habitacionais, erradicação de áreas de risco, reestruturação do sistema viário, urbanização de becos e ruas, implantação de parques e equipamentos de esporte e lazer.

O Vila Viva, que começou em 2005 em vilas do Aglomerado da Serra, foi expandido para outros 11 locais: Vila São José, Pedreira Prado Lopes, Morro das Pedras, Taquaril, Vila Califórnia, Vila Belém, entorno do Córrego Santa Terezinha (Alto Vera Cruz), Vila Cemig e Alto das Antenas, Aglomerado Santa Lúcia e Aglomerado São Tomás/Aeroporto.

As melhorias alcançam cerca de 193 mil pessoas, inclusive com ações de promoção social e desenvolvimento comunitário, educação sanitária e ambiental e geração de trabalho e renda. Nos 12 locais onde vem sendo implantado, o Vila Viva prevê a remoção de 13.167 famílias e a construção de 6.894 unidades habitacionais para reassentamento. A meta da Prefeitura é que o programa beneficie, até 2012, 35% dos moradores de vilas e favelas, o equivalente a cerca de 165 mil pessoas. Entre 2009 e 2010 foram entregues mais 2.353 unidades habitacionais.

CONJUNTO TIROL / CONQUISTA DA UNIÃO:

1.ORIGEM:

No dia 20 de dezembro de 1999 se iniciava a história de vida do Conjunto Tirol, batizado pelos moradores de Conquista da União, em referência ao processo de luta pela moradia que resultou na conquista da casa própria.

De acordo com Dona Vitalina Soares Gonçalves, moradora no local desde seu início, o terreno pertencia à Prefeitura de Belo Horizonte e acabou por abrigar, em moradias verticais, cerca de 275 famílias, sem-teto ou vindas de áreas de risco.

À época o local era uma chácara repleta de pés de jaboticaba e ao fundo havia um córrego, que hoje praticamente não existe mais, devido às construções e conseqüente aterramento.

O Sr. Deraldino de Souza Gonçalves, morador antigo do Conjunto e presidente da associação, conta que antes havia mais mato, mais árvore e que tudo virou concreto. Ele também revela que a primeira coordenadora do grupo foi Silvana Leal, líder dos sem-teto. Conforme contam os primeiros ocupantes, os principais nomes dessa história, além de Silvana, foram Neli e Narcisa, moradoras e articuladoras de benefícios para todos.

Segundo Dona Adeilde Sousa Pereira, como o conjunto foi feito para receber um grupo de pessoas que buscavam a moradia através da ocupação de terrenos, os chamados sem-teto, no início da mudança houve conflitos com os moradores do bairro, que felizmente hoje já aceitam os novos vizinhos.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Quando o conjunto foi implantado, luz e água já havia, mas as modificações nos apartamentos foram realizadas pelos moradores, com recursos próprios. O Sr. Deraldino afirma que a PBH apenas levantou a construção e entregou aos moradores, sem reboco ou qualquer outro acabamento.

A associação de moradores surgiu logo no início da ocupação, em 1999 e o primeiro presidente foi José Nunes. Além das modificações e reformas individuais, os moradores lutaram por uma creche e quadra, que vieram em 2002. A líder Matilde considera que a creche e a quadra de esportes são importantes conquistas, no que se refere à socialização. Hoje a comunidade reclama a ausência de um Centro Comunitário, em especial, para o desenvolvimento de atividades da e para a juventude.