Vila Viva - Aglomerado da Serra.

 

AGLOMERADO DA SERRA:

1.ORIGEM:

O Aglomerado da Serra está situado na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde se divide em oito vilas, como a vila de Nossa Senhora da Conceição, vila Marcola, Vila Cafezal, Vila Novo São Lucas e a vila Nossa Senhora de Fátima.

É a maior favela da capital mineira com 46 mil habitantes.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Atualmente existem no local cinco postos de saúde que atendem as necessidades da comunidade ,sendo o maior deles o Centro de Saúde Nossa Senhora da Conceição, situado ao lado das rádios 98 FM e Favela, esta última, mundialmente conhecida pois funcionou durante vários anos como rádio pirata, servindo de inspiração para o filme homônimo do cineasta mineiro Helvécio Ratton.

As vilas do aglomerado  são conhecidas por nomes próprios dados pelos moradores, quais sejam: a primeira com entrada pela Av. do Contorno,a 2 ª pelas Ruas do Ouro e Capivari, a 3 ª pela Avenida Mem de Sá, e a 4 º pela Rua Nossa Senhora de Fátima. Do lado da primeira vila está localizado o local chamado "Del Rey", um ponto de encontro onde as noites se ouve som e pagode. Localiza-se também o campo de futebol Bola de Ouro, onde muitos jogos são realizados. Abaixo do "Del Rey" está a chamada Chácara, parte do aglomerado que divide estas duas regiões, e é considerada a área mais violenta da Serra, pois é palco de constantes tiroteios, com morte de vários jovens, numa guerra sem fim entre traficantes.

Becos apertados são palco de confrontos, sendo mais conhecido e temido pelos moradores o beco Dona Alvina, que é o maior do aglomerado, sendo controlado pela facção do "Del Rey", do alto do morro que controla a entrada ea saída dos moradores desta parte da favela, deixando acuados os moradores, que procuram se refugiar em outra parte da favela, nos becos da rua Sacramento,  também por eles controlado.

• O Aglomerado da Serra já tem 46 mil habitantes;
• Cerca de 3,2 mil famílias da favela serão remanejadas através de programas dos governo municipal, estadual e federal;
• Estão em andamento várias obras de saneamento e recuperação ambiental.

O programa Vila Viva, que vem transformando a realidade dos moradores de vilas e favelas de Belo Horizonte, registrou avanços expressivos nos últimos dois anos. Desenvolvido em parceria com o Governo Federal por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Caixa Econômica Federal e recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de contrapartida municipal, o Vila Viva já se tornou referência para outras cidades do país e do exterior e recebe investimentos de R$ 1,15 bilhão. Novos empreendimentos concluídos foram entregues em dezembro de 2010, durante as comemorações do aniversário de Belo Horizonte, incrementando ainda mais o saldo positivo do programa.

O perfil dos aglomerados e vilas da cidade que contam com o Vila Viva já está mudando com as obras de saneamento, remoção de famílias de áreas de risco geológico e trechos de obras, construção de unidades habitacionais, erradicação de áreas de risco, reestruturação do sistema viário, urbanização de becos e ruas, implantação de parques e equipamentos de esporte e lazer.

O Vila Viva, que começou em 2005 em vilas do Aglomerado da Serra, foi expandido para outros 11 locais: Vila São José, Pedreira Prado Lopes, Morro das Pedras, Taquaril, Vila Califórnia, Vila Belém, entorno do Córrego Santa Terezinha (Alto Vera Cruz), Vila Cemig e Alto das Antenas, Aglomerado Santa Lúcia e Aglomerado São Tomás/Aeroporto.

As melhorias alcançam cerca de 193 mil pessoas, inclusive com ações de promoção social e desenvolvimento comunitário, educação sanitária e ambiental e geração de trabalho e renda. Nos 12 locais onde vem sendo implantado, o Vila Viva prevê a remoção de 13.167 famílias e a construção de 6.894 unidades habitacionais para reassentamento. A meta da Prefeitura é que o programa beneficie, até 2012, 35% dos moradores de vilas e favelas, o equivalente a cerca de 165 mil pessoas. Entre 2009 e 2010 foram entregues mais 2.353 unidades habitacionais.

PEDREIRA PRADO LOPES

1. ORIGEM:

O local onde hoje se enconta a Pedreira Prado Lopes teve as suas primeiras povoações entre 1900 a 1920.

O Senhor Adão Soares, de 79 anos, é um dos mais antigos moradores da Pedreira. Em depoimento colhido do seu livro “Memórias da Pedreira”, que ele escreveu junto com Sueli Alves Antunes, encontramos: “Tenho boas lembranças do tempo em que se podia passear pela Pedreira Prado Lopes a pé, em todas as direções, sem nenhum perigo. Eu era moço, nos anos 40, e me lembro bem que naquela época era difícil acontecer um crime de morte aqui. Existiam os casos de furtos e de arrobmamento de barracos, mas homicídio era raro. Moro aqui desde o começo da favela, na mesma casa, e daqui não saio de jeito nenhum. Ainda me lembro da Revolução de 1932. Meu tio participou. Ele cavou uma espécie de buraco grande. Davam tiro pra todo lado e aqui, onde moro, caía bala, sem força, mas caía.”

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Os colegas de Adão constestam a afirmação de que a Pedreira é lugar perigoso. Eles reconhecem a existência de gangues que impõem medo aos moradores, mas lembram que a grande maioria não se envolve com o tráfico de drogas e criminalidade. “A população da Pedreira é constituída por trabalhadores que saem muito cedo de casa para o serviço, e posso afirmar que 99% da comunidade é de gente honesta”, afirma o líder comunitário Jairo Nascimento Moreira, que nasceu e mora no aglomerado. Não são poucos, garante, os habitantes que estão envolvidos em atividades culturais diárias. A Pedreira abriga um jornal mensal, 2 centros de trabalhos com artes plásticas,5 de artesanato, 5 de dança e música, 1 grupo de teatro amador, 1 centro comunitário e vários artistas que trabalham individualmente.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 142.000 m²;
Localização: Regional Noroeste;
Número de domicílios: 1.914;
População total residente: 9.800 pessoas, sendo que 93% das famílias residentes são proprietárias dos imóveis que habitam;
Faixa salarial da população: 36,6% sobrevivem com renda de 1 a 3 salários mínimos;
Idade da população: 58% com até 25 anos;
Número de pessoas por domicílio: 63,7% dos domicílios têm de 2 a 5 ocupantes;
26,4% têm de 6 a 9 ocupantes.

O programa Vila Viva, que vem transformando a realidade dos moradores de vilas e favelas de Belo Horizonte, registrou avanços expressivos nos últimos dois anos. Desenvolvido em parceria com o Governo Federal por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Caixa Econômica Federal e recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de contrapartida municipal, o Vila Viva já se tornou referência para outras cidades do país e do exterior e recebe investimentos de R$ 1,15 bilhão. Novos empreendimentos concluídos foram entregues em dezembro de 2010, durante as comemorações do aniversário de Belo Horizonte, incrementando ainda mais o saldo positivo do programa.

O perfil dos aglomerados e vilas da cidade que contam com o Vila Viva já está mudando com as obras de saneamento, remoção de famílias de áreas de risco geológico e trechos de obras, construção de unidades habitacionais, erradicação de áreas de risco, reestruturação do sistema viário, urbanização de becos e ruas, implantação de parques e equipamentos de esporte e lazer.

O Vila Viva, que começou em 2005 em vilas do Aglomerado da Serra, foi expandido para outros 11 locais: Vila São José, Pedreira Prado Lopes, Morro das Pedras, Taquaril, Vila Califórnia, Vila Belém, entorno do Córrego Santa Terezinha (Alto Vera Cruz), Vila Cemig e Alto das Antenas, Aglomerado Santa Lúcia e Aglomerado São Tomás/Aeroporto.

As melhorias alcançam cerca de 193 mil pessoas, inclusive com ações de promoção social e desenvolvimento comunitário, educação sanitária e ambiental e geração de trabalho e renda. Nos 12 locais onde vem sendo implantado, o Vila Viva prevê a remoção de 13.167 famílias e a construção de 6.894 unidades habitacionais para reassentamento. A meta da Prefeitura é que o programa beneficie, até 2012, 35% dos moradores de vilas e favelas, o equivalente a cerca de 165 mil pessoas. Entre 2009 e 2010 foram entregues mais 2.353 unidades habitacionais.

 

ROCK IN RIO:

1. ORIGEM:

A favela Rock in Rio foi construída em 1985 sobre um morro onde funcionavam três pedreiras. Diziam que era pedra de primeira, arrancada à dinamite.

Durante muito tempo, o risco de quem morava por perto era o de, na hora das explosões, geralmente à tarde, ter o telhado atingido por pedras lançadas pelo efeito da dinamite. Mas havia um aviso, cerca de 15 minutos antes do detonamento.

 

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

O nome Rock in Rio veio em função da data em que o aglomerado de casas foi construído. O Conjunto Mariano de Abreu foi levantado por meio de mutirão em fevereiro de 1985. Enquanto a banda inglesa QUEEN, de Freddie Mercury, eternizava Love of my life no Rio de Janeiro, o Rock in Rio fazia rolar as pedras em BH para o assentamento de dezenas de famílias, vindas de áreas de risco localizadas nos bairros Nova Granada, Alto Vera Cruz e Favela do Rio Arrudas.

Instalada sobre o aglomerado de pedreiras, a comunidade do Conjunto Mariano de Abreu, mais conhecido como Rock in Rio, tem sexta-feira movimentada na pista, com comércio, posto de saúde e escolas públicas em ritmo de agitação. Apesar de tudo, é um local tranquilo para se viver.



VILA ACABA MUNDO

1. ORIGEM:

De acordo com o Plano Global Específico, elaborado pela Urbel/PBH em 2000, a Vila Acaba Mundo, localizada na região sul de Belo Horizonte, existe desde a década de 40 e tem seu surgimento associado à implantação da Mineradora Lagoa Seca, que explora o subsolo de um terreno vizinho à vila até hoje. Antes da ocupação, a região era toda coberta por mata fechada, de propriedade particular. Os primeiros moradores eram imigrantes do interior do Estado que vieram trabalhar na capital, muitos deles na mineração.

Com as chuvas de 1979 a ocupação se estendeu mais ainda, pois os moradores da parte alta da vila ficaram desabrigados e mudaram-se para a parte baixa, na divisa com o bairro Mangabeiras. Nesta mesma época os moradores começaram a se organizar, tanto em função das tragédias provocadas pelas chuvas, quanto pela preocupação com a ocupação rápida e desordenada. A fundação da Associação de Moradores da Vila Acaba Mundo data da década de 70.

A vila recebeu o nome de Acaba Mundo, pois a área onde está localizada corresponde a um vale fechado, entrecortado por dois morros, que são separados pelo córrego Acaba Mundo.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Na década de 80, a comunidade passou por uma série de transformações com a implantação de iluminação pública e redes de água e esgoto pela prefeitura. Nesta mesma época, foi reconstruído o centro comunitário. A sede ficava em um barraco, que depois foi derrubado e no seu lugar foi construída a casa da sede atual. De acordo com moradores, as melhorias obtidas nesta época são resultados do posicionamento político da associação de bairro.

Na década de 90, chegaram ao local entidades e projetos sociais que também contribuíram para a melhoria de vida na comunidade. Em 2005, as lideranças comunitárias formalizaram a criação do Fórum de Entidades do Entorno das Minerações do Acaba Mundo (Femam) que discute melhorias para a Vila e o seu relacionamento com a mineração Lagoa Seca.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 33.313 m²
Localização: regional centro-sul, entre os bairros Sion, Anchieta, Mangabeiras e Belvedere.
Número de domicílios: 329
Domicílios não residenciais: 27
População total residente: 1187

VILA APOLONIA

1. ORIGEM:

A história da Vila Apolônia começou no ano de 1974. A área, localizada na Região de Venda Nova, foi ocupada por famílias vindas do interior de Minas Gerais e Bahia. Os novos moradores buscavam na capital mineira uma vida melhor, mas encontraram dificuldades para permanecer no local, devido à falta de infra-estrutura.

De acordo com a URBEL – Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, muitos decidiram vender seus lotes e voltar ao seu local de origem. Outros moradores permaneceram e residem até hoje na vila. Como alternativa à falta de infra-estrutura, os habitantes da vila usavam o comércio, posto médico, transporte, escolas e Associação Comunitária dos bairros vizinhos - Itamarati e Copacabana.

D. Maria Lourenço de Oliveira (80), uma das primeiras moradoras da Apolônia, entrevistada pela equipe da ONG Favela é Isso Aí, reside no local há 32 anos. Quando ela mudou para a vila existiam apenas dois barracos, não tinham água e nem luz e o terreno parecia um grande pasto onde as poucas pessoas que moravam lá criavam bois. De acordo com ela, as dificuldades eram imensas, era preciso andar muito até para conseguir água para os afazeres domésticos.

As informações da URBEL mostram que, em 1983, um senhor chamado Lockaman Garios apresentou-se na vila como proprietário. Ele afirmava que 12 lotes da Rua Cônego Trindade eram de sua propriedade e exigia a desocupação da área, onde residiam 22 famílias. As famílias procuraram auxílio na Associação Comunitária do Jardim Leblon, mas não foram atendidas. Surgia assim, a necessidade de criar uma associação de moradores própria, que defendesse seus interesses e lutasse por melhorias na vila.

Em junho do mesmo ano, após a criação e formalização da associação de moradores, começaram as negociações. Segundo a URBEL, a Associação dos moradores da Vila Parque Jardim Leblon e Vila Apolônia conseguiu comprar, com ajuda de um italiano morador da vila, os doze lotes do senhor Lockaman que foram divididos entre as 22 famílias que moravam no local.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Uma das primeiras melhorias conquistadas pela associação foi em 1984 com a ligação da luz nos Becos Santo André, São Lourenço, São João Batista, D. Joaquim e Carlos de Araújo. No mesmo ano, doações da igreja e festas organizadas pela associação e pela comunidade arrecadaram fundos para calçar o Beco Santo André, principal via de acesso à vila. O trabalho de calçamento foi realizado através de mutirão.

Em 1987, os moradores conseguiram obter 50% da rede de esgoto, que foi realizada com mão de obra local, material de assistência técnica da SETAS – Secretaria do Estado do Trabalho e Ação Social. Neste mesmo ano 80% da vila recebeu luz, água e foi beneficiada com o Programa do Sopão e Programa do Leite, que atendiam as famílias mais carentes. Havia também uma horta comunitária cujos alimentos eram distribuídos às famílias. Após um ano, os programas foram interrompidos por falta de verba. Uma frente de trabalho composta por moradores e associação construiu 17 moradias para famílias que residiam em área de risco, com o auxílio de material e assistência técnica fornecidos pela SETAS.

De acordo com a URBEL, em 1989 foram feitas as redes de esgoto nos Becos São João Batista, parte do São Joaquim e Salinas com Santa Terezinha, com a liberação das manilhas pela URBEL e trabalho da comunidade, através de mutirão. Calçamento das ruas principais, ampliação das linhas de ônibus, 406 padrões de luz, instalações de telefones públicos, ampliação da Escola Estadual Síria Marques, construção do Centro de Saúde Leblon e construção da quadra de esportes da Escola Estadual Síria Marques são as principais melhorias conquistadas na comunidade.

Os jovens atuam na vila através da Pastoral da Criança, desde 1986. Paralelamente ao trabalho da associação, promovem aulas de catequese e mobilizam a comunidade para a participação em datas comemorativas, realizando atividades culturais. A Pastoral estimulou os moradores a atuar no Orçamento Participativo desde 1994. Hoje seus representantes integram a comissão de fiscalização deste Orçamento na vila e mobilizam as famílias dos Becos do Funil e Santa Rita, áreas aprovadas pelo O.P.

A vila recebeu também, em meados da década de 1990, intervenção estrutural através do Programa Alvorada, convênio entre a URBEL e o Ministério Italiano e a AVSI – Associação de Voluntários para o Serviço Internacional.

Segundo moradores mais antigos existe na vila a necessidade de um espaço físico para reuniões e lazer, porque a associação não possui uma sede própria. As reuniões são realizadas na Escola Estadual Síria Marques ou até mesmo nas casas dos membros da associação. Celebrações da Igreja Católica são feitas em locais improvisados. Somente as igrejas evangélicas possuem seu espaço físico próprio.

Os moradores da Vila Apolônia reivindicam hoje a construção de uma área de lazer e a pavimentação de becos. Como herança do início da vila, existe até hoje na Apolônia uma propriedade chamada de curral, que serve de pasto para cavalos.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 207.315 m²
Localização: Regional Venda Nova, bairro Jardim Leblon
Número de domicílios: 2.578
População total residente: 7.669 pessoas
Taxa de alfabetização: 82,8% das pessoas acima de 5 anos
Esgotamento sanitário: 86,5% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 98,5% abastecidos através de rede geral
Coleta de lixo: 99,6% coletados por serviço de limpeza

VILA CALIFORNIA

1. ORIGEM:

A área onde hoje está situada a Vila Califórnia pertencia à antiga Fazenda Camargos, também chamada Fazenda da Mata. Antes da ocupação de fato, já moravam algumas pessoas no local, principalmente empregados da fazenda, que plantavam próximo ao córrego. A herança do terreno, de acordo com os moradores, está até hoje no apelido da vila: “Suvaco da cobra”. A história do vulgo é contada em “causos” por moradores mais antigos. Amadeu Pereira dos Santos (65) e Jésus Vieira de Assis afirmam que havia no local, como é comum em fazendas, muitas cobras. Certa vez, uma cobra preta, que corria atrás das pessoas no córrego, fugiu para a Vila e foi morta por eles próprios com uma espingarda. Assim eles saíram pela Vila mostrando a cobra morta, para exibirem o feito.

De acordo com a Urbel – Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, a ocupação da área ocorreu com a desapropriação de partes da fazenda, para a construção da Via Expressa. Outras áreas foram desapropriadas posteriormente. Em 1970, o terreno que abriga a Vila era todo ocupado por vegetação, quando foi iniciada a construção da BR-040. Dois fatos marcaram o processo de ocupação da Vila Califórnia e influenciaram na organização do espaço: a construção dos Conjuntos Califórnia I e II e, em seguida, o Conjunto Novo Dom Bosco.


2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

A Vila começou a ser povoada a partir dos arredores da Rua das Violas (margem direita do Córrego Avaí), ao final da Rua Bandolins. Segundo a Urbel, a margem esquerda do córrego e outros becos foram ocupados depois. Moradores mais antigos da fazenda contam que sofreram agressões físicas, mas a polícia não teve como impedir a entrada dos novos ocupantes, que procuravam uma alternativa de habitação mais barata.

Os moradores têm duas versões para o surgimento da vila: uma delas conta que os primeiros ocupantes eram operários da construção do Conjunto Califórnia e a outra relata que eram pessoas vindas do interior e bairros vizinhos.

A ausência de infra-estrutura e a precariedade estimularam a mobilização popular em prol de melhorias. O abastecimento de água era feito, inicialmente, pela construção de cisternas nas casas e muitas moradias não possuíam energia elétrica. Segundo entrevistados pela equipe de pesquisa, a luz era obtida através de “gatos”.

De acordo com informações da Urbel, muitos benefícios foram implantados através de mutirões organizados pelos moradores e feitos com material fornecido pelo Poder Público. Este trabalho possibilitou a efetivação do calçamento de becos, escadarias e parte da rede de esgoto.

A primeira organização para alcançar melhorias partiu de um pequeno grupo de moradores, que fez um abaixo-assinado solicitando a implantação da rede elétrica à CEMIG. Esse mesmo grupo originou a Associação Comunitária da Vila Califórnia, que teve como primeira presidente uma liderança feminina: Joana D’Arck.

Segundo a Associação Comunitária da Vila Califórnia, a entidade foi registrada em 1984. Uma das primeiras reivindicações da comunidade era a canalização do córrego e a continuidade da Avenida Avaí. O córrego trazia doenças, inundações na época das chuvas e mau cheiro, entre outros problemas. As obras de canalização do córrego e da implantação da rede de esgoto já foram iniciadas, mas estão paradas no momento, aguardando liberação de recursos do Orçamento Participativo. Buscam viabilizar, também através do OP, a criação de uma área de lazer com duas quadras, para atender a demanda dos moradores.

Para concluir toda a infra-estrutura necessária à Vila serão utilizados recursos do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, através do Programa Habitar Brasil, do Governo Federal. O Programa têm como objetivo também oferecer moradias seguras às pessoas que estão localizadas em áreas de risco. Outra obra que será realizada com recursos do BID é a construção de uma UMEI, equipamento que atende crianças de zero a seis anos, em horário integral.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 94.978 m²
Localização: Regional Nordeste
Número de domicílios: 1.135
População total residente: 5.062 pessoas
Taxa de alfabetização: 80,7% das pessoas acima de 5 anos
Esgotamento sanitário: 57,4% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 98,9% abastecidos através de rede geral
Coleta de lixo: 72,9% coletados por serviço de limpeza

VILA CEMIG

1. ORIGEM:

A Vila Cemig está localizada na Regional Barreiro, em Belo Horizonte, sendo vizinha dos Bairros Flávio Marques Lisboa e Conjunto Esperança. A vila recebeu esse nome, dado pelos moradores, devido à subestação de luz da CEMIG, próxima ao local.
Segundo moradores mais antigos da comunidade, a área ocupada pela vila pertencia à antiga Fazenda Bonsucesso. A área verde possuía várias nascentes de água, que eram atrativos para as pessoas e serviam como referência de localização, já que a princípio não existiam ruas na vila.

De acordo com a Urbel – Cia. Urbanizadora de Belo Horizonte, as primeiras ocupações ocorreram no final da década de 1950. Apesar de a comunidade ainda não ter completado meio século, algumas das primeiras pessoas a habitarem o local já faleceram. Segundo a Companhia Urbanizadora, em 1959, José Rita e José Nogueira, atualmente falecidos, se instalaram com suas famílias onde hoje é a Rua Ema. Dona Heliodora dos Santos, viúva do Sr. Juvercino Romano dos Santos, também conta que foi uma das primeiras moradoras da vila, chegando à vila por volta de 1962, onde construiu a residência em que ainda mora, na Rua Clara.

No início, residiam na vila somente estas três famílias. A forma de acesso às casas se dava por trilhas da antiga fazenda. Segundo D. Heliodora, as famílias construíram e residiram na vila tranquilamente, até que a polícia começou a intimidá-los a abandonarem suas casas, sob a alegação de invasão de terreno. De acordo com as informações da Urbel, os conflitos entre policiais e comunidade perduraram até 1972, quando 40 famílias já moravam na vila.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Do final de 1972 até meados de 1973, houve um aumento de moradores em torno de 90%. Já em 1975, a vila contava com uma população em torno de aproximadamente 4.000 pessoas. Segundo dados da URBEL/PBH, era interesse comum da população local apoiar a criação de uma Associação de Moradores para representar os moradores perante as reivindicações de melhorias e direitos públicos. Em 1977 foi fundada a Associação Pró-Melhoramento da Vila Cemig, tendo o Senhor Juvercino como primeiro presidente.
Em 1979, a associação contava com cerca de 2.400 sócios e se reuniu para primeira construção coletiva da vila, a Capela Nossa Senhora Aparecida. Com apoio do Padre Jeremias os moradores lutaram para conseguir energia elétrica, água encanada, esgoto e ônibus pra atender à vila.

A instalação da energia elétrica exigiu a abertura e definição de ruas, quando então os moradores se uniram em mutirão e abriram as 17 principais ruas da Vila. Entretanto, ainda hoje existem na vila alguns pontos que não possuem iluminação legalizada, como é o caso do local conhecido pelos moradores como Antenas, situado próximo às antenas da subestação da Cemig.

A Vila foi uma das incluídas, na década de 1980, no PRODECOM – Programa de Desenvolvimento das Comunidades, do Governo do Estado, sendo conquistada nessa época a instalação de redes de esgoto e água, a urbanização de ruas, que contou com a participação dos moradores em mutirão, e uma sede para Associação Comunitária. Na mesma época, como iniciativa do Sr. José Ramos, a praça da comunidade ganhou o Cruzeiro, ponto de referência na vila. Ele carregou nas costas a cruz que hoje fica no local, desde a Igreja Cristo Redentor, na entrada do Bairro Flávio Marques Lisboa, até a praça, que ficou conhecida como Praça do Cruzeiro.
Como fruto do trabalho da Associação foi criada uma creche comunitária para os filhos dos moradores e implantado posto médico na vila. Em 1984, a Associação promoveu uma manifestação em prol do título de propriedade dos imóveis da vila, que resultou no comparecimento do então Governador de Minas Gerais, Tancredo Neves à comunidade. A ação culminou na conquista de 692 títulos de propriedades e alguns outros em fase de regularização.

Hoje existem muitas propriedades que ainda não têm documentação regularizada.
Segundo os moradores mais antigos entrevistados pela Ong Favela é isso aí, a Vila Cemig passou por uma fase difícil, com violência constante, mas hoje consideram a comunidade um lugar tranqüilo em que gostam de morar. João Rosa Pinheiro, que chegou à Vila há 46 anos, disse que já viajou para vários lugares do país a trabalho, mas não tem vontade de sair da vila, onde criou sua família: “só vou sair quando Deus vier me buscar”, diz.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 282.000 m²
Localização: Regional Barreiro
Número de domicílios: 1.853 (2000) e 2.310 (2002)
População total residente: 6.947 (2000) e 6.400 (2002)
Áreas críticas: área de risco (médio, alto e iminente); áreas com declividade acima de 47%; faixa de servidão da CEMIG; áreas inundáveis.
Taxa de alfabetização: 82,5%
Esgotamento sanitário: 73,4% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 90,2% abastecidos através de rede geral
Coleta de lixo: 81,0% coletados por serviço de limpeza

VILA IMBAÚBAS

1. ORIGEM:

O local onde fica a Vila Imbaúbas, antes da ocupação, em 1962, era um terreno com plantação de eucaliptos. O dono da área, conhecido como Luciano, era proprietário de vários terrenos na região oeste de Belo Horizonte. Atualmente moram no terreno, que tem 32.000m², cerca de 720 famílias e um total de 3.000 moradores. De acordo com as lideranças entrevistadas pela ONG Favela é Isso Aí, 80% das famílias são as mesmas da época da ocupação. Com mais de 40 anos e muitos dos mesmos moradores, ainda existe divergência quanto ao nome da vila, que é Embaúbas para os moradores, e Imbaúbas para a Prefeitura, na versão oficial.

Os moradores mais antigos da vila contaram que no começo da ocupação houve conflitos e as pessoas precisavam organizar-se às escondidas, devido à ditadura militar. Luiz Carlos Cordeiro conta que as ações de ocupação precisavam ser bem planejadas e organizadas, pois sempre que iam ocupar o terreno eram retirados pela polícia. A ocupação foi realizada em massa no dia 7 de setembro, aproveitando o desfile da Polícia Militar na Avenida Afonso Pena. Outras áreas foram ocupadas na mesma data, originando: Vila Oeste, Cabana, Vista Alegre, além da Vila Imbaúbas.

Pessoas originárias de diversos pontos de Minas Gerais participaram da ocupação: Teófilo Otoni, Governador Valadares, Mantena e Mantipó estão na lista. Os entrevistados contam que a maioria dos moradores eram lavradores e trabalhadores rurais. A água era obtida em minas na parte baixa da Vila, onde atualmente ficam o Cemitério da Colina e a Lagoa dos Patos. Os moradores contam que havia uma grande dificuldade de perfurar o terreno, devido aos declives do local.

A mobilização popular em busca de benefícios para a comunidade foi iniciada por moradores que fizeram grupos isolados, comissões que resultaram posteriormente na Associação de Moradores da Vila Imbaúbas. Eles começaram buscando apoio pela Igreja e, assim, conseguiram terreno para construção de uma creche. A creche foi construída com verba obtida através de bazares, mutirões, leilões e, principalmente, com a mobilização popular.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

A Associação Comunitária dos Moradores da Vila Imbaúbas foi criada em junho de 1982, por Miguel Inocêncio da Silva. Em uma reunião com os moradores da vila, ele foi escolhido para coordenar a assembléia, na qual foi determinada a escolha da diretoria, sendo Miguel o primeiro presidente. Apesar de organização oficial datar da década de 1980, a mobilização por benefícios era representada informalmente pelas comissões desde os anos 60, porque os habitantes da Vila Imbaúbas perceberam que só coletivamente poderiam conquistar avanços.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 36.936 m²
Localização: Regional Oeste
Número de domicílios: 450
População total residente: 1.890 pessoas
Taxa de alfabetização: 82,2% das pessoas acima de 5 anos
Esgotamento sanitário: 99,0% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 98,4% abastecidos através de rede geral
Coleta de lixo: 99,7% coletados por serviço de limpeza

VILA MARIA

1. ORIGEM:

A área atualmente conhecida como Vila Maria, situada na Regional Nordeste de Belo Horizonte, antes era chamava Gorduras pela população. A ocupação do local se deu com a vinda de moradores de regiões próximas ao Rio Arrudas, atingidas pela grande enchente que assolou a Capital em 1979.

Na época de sua fundação, a vila contava com más condições de moradia e saneamento básico. Ademais, os barracos, em madeira estavam freqüentemente expostos ao perigo de incêndios. Muitas pessoas morreram até que a população conseguisse construir, com a ajuda de doações, casas mais seguras.

Moradores antigos dizem que pessoas provenientes de outras regiões ocuparam os barracos de madeira que estavam disponíveis. Para lutar por melhores condições de vida e cadastrar os moradores do local, foi fundada a Associação do Conjunto Habitacional Gorduras, então sob a direção de João Vital.

Com o auxílio do Padre Mário, a associação idealizou o Projeto Providência, que funcionava como uma escola para os moradores, lutando também pelos direitos da comunidade. Coletivamente, os moradores conquistaram o posto policial; o posto de saúde, igreja e chafariz, além de promover o sopão comunitário.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

Hoje, o Projeto Providência, fundado em 1988, atende, por mês, a cerca de 1.200 pessoas, a maior parte jovens entre quatro e 15 anos. A entidade educacional, que também trabalha com adultos, oferece cursos profissionalizantes em diversas áreas.

Apesar dos avanços, os moradores desejam ainda melhorias para o local, porém sentem-se felizes com a atual situação da vila, que conta com quatro escolas, cursos profissionalizantes e projetos que incentivam a cultura e a educação.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 114.317 m²
Localização: Regional Nordeste
Número de domicílios: 1.277
População total residente: 5.363 pessoas
Taxa de alfabetização: 82% das pessoas acima de 5 anos
Esgotamento sanitário: 99,3% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 99,7% abastecidos através de rede geral
Coleta de lixo: 100% coletados por serviço de limpeza

VILAS MARIETA I E II

1. ORIGEM:

As Vilas Marieta I e II, na região do bairro Tirol, na Regional Barreiro, surgiram no início da década de 60. O nome é uma homenagem a D. Marieta Purqueri de Jesus que, na época, doou um lote para a construção da Igreja São Vicente de Paula, que pertence as Vilas.

Alguns moradores mais antigos contam que o terreno, onde hoje ficam situadas as vilas, pertencia a José e Maria Augusta que abandonaram a região por causa de imigrantes alemães que utilizavam as terras para extrair madeira, abrigar e alimentar cavalos. As constantes brigas com os forasteiros, que chegaram ser caso de polícia, resultaram no abandono terreno que, posteriormente, foi ocupado por pessoas que trabalhavam em uma fábrica de cerâmica e vivam nas proximidades.

Outros moradores contam que o casal morreu e as terras ficaram abandonadas, pois não existiam herdeiros próximos. Os tais forasteiros alemães ocuparam o terreno e queriam lotear para vender, o Sr. Francisco Gomes Barbosa, o Chiquito, hoje falecido, tomou partido da situação e procurou um advogado que o ajudou conquistar, dividir o terreno e doar para a população.

D. Irma Aganetti Barbosa (74), moradora da comunidade há 53 anos e esposa do Sr. Francisco, relata que para construir as casas, as pessoas contavam com a solidariedade alheia. Onde atualmente fica a Avenida Senador Levindo Coelho, antes era uma estrada de terra. De acordo com moradores, o local onde estão situadas as vilas era conhecido como Jatobá, nome, hoje, dado a outros bairros da região: Jatobá I, II e III.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

A energia elétrica também é fruto da época de Sr. Francisco, que conseguiu inúmeras conquistas para os moradores da região. O abastecimento de água foi conseguido devido a atuação de Sr. Francisco e de um outro morador da vila, Sr.Vicente, na época funcionário da Copasa.

A Associação Comunitária das Vilas surgiu em 1985 e o 1º presidente foi Lindolfo dos Santos (79), morador há quatro décadas e figura lendária da comunidade e da Folia de Reis da região. Ele contou, em entrevista à equipe de pesquisa da ONG Favela é Isso Aí, que uma das principais conquistas da entidade foi o asfalto, que hoje abrange as duas vilas.

Atualmente, a maior parte das entidades e equipamentos que atentem a população local são do bairro Tirol. Posto de Saúde, escolas e creches ficam fora das pequenas vilas, mas os moradores não reclamam. A comunidade fica próxima a estação Diamante e é atendida por várias linhas de ônibus.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área:
Marieta I: 40.828 m²
Marieta II: 5.716 m²
Localização: Regional Barreiro, próximo ao bairro Tirol
Número de domicílios:
Marieta I e II: 236
População total residente:
Marieta I e II: 991 pessoas

VILA NOSSA SRA. DO ROSARIO

1. ORIGEM:

A Vila Nossa Senhora do Rosário localiza-se no bairro Pompéia, região Leste da capital mineira. De acordo com pesquisa da Urbel – Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, moradores mais antigos contam que, na década de 40, a maior parte da área pertencia a um senhor chamado Maurício Miguel. Em 1948, ele dividiu o terreno, que tinha poucas casas, e vendeu os lotes.

Em parte do bairro havia uma pedreira, onde hoje está situada a Vila Nossa Senhora do Rosário, conhecida como Pedreira da Pompéia. Pesquisa da Urbel revela que onde atualmente é a rua Pitangui, que corta a vila, existia uma lagoa. O local foi aterrado, em meados da década de 50, na gestão do prefeito Américo Renné Gianetti para dar lugar a uma feira livre, que nunca foi implantada. O local foi utilizado durante muitos anos como campo de futebol e hoje é ocupado por casas.

Ainda segundo dados da Urbel, em 1956 e 1957, a área da Pedreira foi invadida e ocupada por pessoas vindas de outras regiões e cidades. De acordo com Luiz Salatiel, morador da vila há 57 anos, o processo de ocupação e construção das casas foi tranqüilo, sem confrontos com a polícia.

No entanto, no local que possuía apenas uma lagoa, uma pedreira e poucas habitações, não existia também infra-estrutura. Conquistas como saneamento básico, calçamento e rede de esgoto, foram todas frutos da ação coletiva. Moradores relataram que as casas eram construídas em mutirão. “Um ajudava o outro na construção das casas. Enquanto um trabalhava na obra, o outro buscava água na pedreira, na caixa d´água, conta Salatiel.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

O morador José Geraldo Souza, que vive na região há mais de trinta anos, reforça que havia carência de água, luz e esgoto, mas que a construção era sempre em equipe. Ele conta que não havia saneamento básico até o Orçamento Participativo. O envolvimento dos moradores na conquista no suprimento destas necessidades foi fundamental.

A ACAPP - Associação Comunitária dos Amigos da Pedreira da Pompéia, fundada em 31 de julho de 1986, tem importância destacada no desenvolvimento da vila. A entidade surgiu através da idéia de alguns amigos, insatisfeitos com a associação comunitária da época. Ela teve como presidente, o Sr. Helvécio, importante líder, atuante em diversas melhorias conseguidas para vila.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 26.650 m²
Localização: Regional Leste
Número de domicílios: 216
População total residente: 812 pessoas
Taxa de alfabetização: 91% acima de 5 anos de idade
Esgotamento sanitário: 99,2% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 100% abastecidos através de rede geral
Coleta de lixo: 85% coletados por serviço de limpeza

VILA NOVO OURO PRETO

1. ORIGEM:

A Vila Novo Ouro Preto está situada nos limites do Bairro Ouro Preto, em Belo Horizonte, Regional Pampulha. Antes das obras realizadas para a construção do Parque Linear, que deve ser inaugurado neste ano, as moradias localizadas às margens do Córrego da Cidadania, que corta a Vila e deságua na Lagoa da Pampulha, estavam sujeitas a riscos de deslizamento e inundação.

De acordo com dados da URBEL, a área começou a ser ocupada em 1966, na parte norte, às margens do córrego e com menor declive, onde hoje é a entrada da Vila. Em 1970 começou a ser ocupada a parte sul, área de maiores declives, mas foi a partir de 1975, que houve uma expansão significativa do número populacional. A região da micro-bacia do Córrego da Cidadania, em 1989, já estava toda ocupada. Nos anos 90, ocorreu um crescimento acelerado e a população dobrou de tamanho. Com o aumento da população veio o processo de verticalização das edificações que acabou acarretando na pouca iluminação natural e ventilação das moradias, condições propícias à insalubridade e aos problemas de saúde.

Segundo dados do Escritório de Integração da PUC-Minas, a grande quantidade de lixo doméstico, provocada pelo aumento da população, ocasionou a poluição das águas das nascentes do córrego e formou um esgoto a céu aberto. Todo o esgoto produzido na Vila era despejado no córrego sem nenhum tratamento. Atualmente a Vila já possui rede de água e esgoto.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

De acordo com dados do IBGE, em 1991, 94% das residências descartavam seu lixo nas áreas livres ou dentro do córrego. Segundo dados do PGE – Plano Global Específico feito em 2000, 90% dos domicílios depositava seu lixo em apenas três cestos comunitários localizados na Rua Luiz Lopes. No Beco Otaviano Neves, a coleta era feita de porta em porta.

Segundo o Movimento AMACIDADANIA - Associação dos Moradores da Vila Novo Ouro Preto, a Vila Novo Ouro Preto não possui ainda equipamento de saúde pública, sendo os atendimentos realizados nos centros de saúde do Bairro Ouro Preto. A umidade excessiva das casas é responsável pela maior parte dos atendimentos, que são de casos de doenças respiratórias.

A primeira associação criada para representar os interesses da comunidade foi fundada no final dos idos de 1970, em parceria com os moradores do Bairro Ouro Preto e chamava-se Associação dos Amigos do Bairro Ouro Preto e adjacências. Entretanto, as ações realizadas através da associação foram incipientes e a mobilização popular de fato iniciou-se em 1992,

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 37.023 m²
Localização: Regional Pampulha
Número de domicílios: 265
População total residente: 1107 pessoas
Taxa de alfabetização: 87,1% das pessoas acima de 5 anos
Esgotamento sanitário: 57,6% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 88,2% abastecidos através de rede geral
Coleta de lixo: 12,8% coletados por serviço de limpeza

VILA SÃO BENEDITO - PRESIDENTE VARGAS

1. ORIGEM:

Conta-se entre os moradores que a Vila Presidente Vargas, no bairro Goiânia, região nordeste de Belo Horizonte, surgiu com a chegada de algumas pessoas vindas do interior do Estado na década de 60. Eles vieram em busca de melhores condições de vida e muitos conseguiram trabalho na construção civil, em casas de família e bicos diversos.

As primeiras moradias foram construídas com madeira e adobe (barro com bambu), sem qualquer infra-estrutura. O terreno pertencia a duas moças que foram vendendo os pedaços de terra aos poucos e depois desapareceram, não deixando nem recibo e nem contato. Inicialmente, o local era chamado de Vila Brasília. Atualmente o nome oficial da Vila é São Benedito, mas a maior parte dos moradores conhece a comunidade como Vila Presidente Vargas.

Com a chegada de novos moradores no local, as casas de adobe foram substituídas por construções de alvenaria. Em 1984, foi criada a Viva - Associação Comunitária Presidente Vargas, que, a princípio, funcionava em uma casinha alugada. Através dela, com o apoio do Fundo Cristão para Crianças vieram conquistas como água, luz, esgoto, etc. Hoje a Viva tem sede própria, atua nas áreas da educação infantil, socialização infanto-juvenil, saúde, promoção de cultura e geração de renda.

2. DESENVOLVIMENTO/INRA-ESTRUTURA:

Atualmente a Vila está quase toda urbanizada, com becos pavimentados, posto de saúde próximo à comunidade, transporte coletivo e escolas públicas. Os moradores dizem que gostam de morar na vila e conhecem uns aos outros, mas reclamam da criminalidade crescente, da ausência de um posto policial e da falta de uma área de lazer na comunidade.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 40.377 m²
Localização: Regional Nordeste, junto ao bairro Goiânia
Número de domicílios: 476
População total residente: 2008 pessoas

VILA SÃO MIGUEL

1. ORIGEM:

A Vila São Miguel, pejorativamente conhecida entre seus moradores como “Vietnã”, faz parte da regional Pampulha de Belo Horizonte e está localizada na confluência da Avenida Cristiano Machado com o Anel Rodoviário, entre a Vila Suzana e os bairros 1º de Maio e São Paulo. Em 2001 a URBEL elaborou o PGE – Plano Global Específico para toda a área, incluindo as vilas Suzana I, Suzana II e São Miguel.

De acordo com esta fonte, o povoamento da região foi iniciado pela Vila Suzana I, há cerca de 50 anos, enquanto a Vila Suzana II foi construída há aproximadamente 35 anos. “Em toda a região havia, antigamente, o predomínio de atividades agrícolas. Os acessos eram muito difíceis, sendo que somente no início da década de 80, com a inauguração da Av. Cristiano Machado ligando o centro da cidade ao Anel Rodoviário e à zona norte da cidade, é que a acessibilidade foi garantida. Esta abertura, por seu turno, estimulou e orientou a ocupação de novas áreas”.1

A Vila São Miguel foi uma dessas áreas de ocupação mais recente. Segundo os estudos disponíveis, apenas na década de 1990 iniciou-se a ocupação da área, formada pelas alças viárias de integração do Anel Rodoviário com a Av. Cristiano Machado. Além de estar em faixa de domínio do DNER, a vila sofre com constantes inundações, principalmente pela proximidade com o córrego Cachoeirinha, configurando-se, segundo a URBEL, como área crítica de risco.

Ao que tudo indica, o adensamento da vila deu-se também pela chegada de pessoas que moravam onde hoje está a estação do metrô chamada São Gabriel, que teriam mudado-se do local na época das obras e se instalado na Vila São Miguel.

Como entidades relevantes e que apóiam a população da Vila São Miguel vale citar o Movimento pela Moradia da Vila São Miguel, a Associação dos Moradores e Amigos da Vila Suzana e o GDECOM – Grupo de Desenvolvimento Comunitário. Apesar de situarem-se fora da vila, atendem também a seus moradores em suas reivindicações e lutas. Outra liderança muito importante na história da vila é o Padre Piggi, que atua em toda a região e é citado como referência pela população local. Ele também participou da construção do Conjunto Felicidade como indicado na página da comunidade, dentro deste site.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

A previsão da URBEL é que até meados de 2008 a Vila tenha acabado. Onde hoje fica a São Miguel passará a Linha Verde, via que irá interligar o centro de Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional de Confins. A passagem dessa rota na região vai desintegrar as Vilas Maria Virgínia, Carioca, São Paulo, Suzana e também a São Miguel.

Alguns moradores já se mudaram. Os destinos variam entre mudanças dentro da própria capital, para a Região Metropolitana de Belo Horizonte, para o interior de Minas e mesmo para outros Estados. De acordo com a assessoria da URBEL, uma parte minoritária da população almeja a construção de um conjunto, nas proximidades da Vila, ao invés da compra livre de casas. A equipe da ONG Favela é Isso Aí acompanha o destino de alguns moradores para saber a trajetória deles após a morte da vila.(DAM / URBEL, Plano Global Específico, 2002.)

O processo de análise para desapropriação foi iniciado em setembro de 2005 e estima-se que até meados deste ano a comunidade tenha sido toda remanejada. O destino de cada morador vai variar de acordo com a vontade e o valor recebido pela antiga moradia.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 9.479 m2
Localização: Regional Pampulha, junto ao anel Rodoviário e bairro Suzana
Áreas críticas: área de risco por alagamento (córrego Cachoeirinha); toda a vila situada em área não edificante, pela faixa de domínio do DNER (alça do anel rodoviário).
Número de domicílios: 126 (em 2000) e 204 (em 2002)
População total residente: 452 habitantes (em 2000) e 517 habitantes (em 2002)
Taxa de alfabetização: 75% dos maiores de 5 anos de idade.
Esgotamento sanitário: 99% lançados em cursos de água (2000)
Abastecimento de água: 97,6% abastecidos através de rede geral (2000).
Coleta de lixo: 50,8% coletados por caçamba do serviço de limpeza; 42,8% lançados em cursos de água (2000).

VILA SÃO RAFAEL

1. ORIGEM:

A Vila São Rafael fica na Região Leste de Belo Horizonte, no bairro Pompéia. Walter de Menezes, morador da comunidade há mais de 70 anos, conta que a vila surgiu em 1938 e foi ocupada por pessoas que trabalhavam em uma pedreira, que ficava próxima ao local. Alguns contam que a região era uma fazenda inativa, outras dizem que era um terreno da Prefeitura. De acordo com D. Elza Maria Gonçalves, o local onde hoje fica a vila era um matagal com várias nascentes.

A vila recebeu o nome de São Rafael, na década de 1970, depois da construção da Escola Municipal São Rafael. A comunidade já foi conhecida também como Gogó da Ema. Segundo um dos entrevistados, casos de polícia deram origem ao apelido.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

A primeira Associação Comunitária, de acordo com moradores, surgiu no final da década de 1960, início de 1970, e o primeiro presidente foi o Sr. Antônio da Costa Miranda, já falecido. De acordo com o Sr. Walter, com ajuda de Frei Paulo Castagna a comunidade conseguiu material de construção para pavimentar a maior parte dos becos. Entre as benfeitorias citadas pelos moradores está a construção da Creche Grazia Barreca Castagna, fundada em 1989, pelo mencionado Frei Paulo.

A história de D.Elza dos Santos Gonçalves, que mora na vila há 24 anos, mostra que, apesar de antiga, a São Rafael continuou recebendo novas ocupações nas últimas décadas. Ela conta que, quando se mudou, havia na comunidade um depósito de lixo e o Ribeirão Arrudas passava dentro da vila. De acordo com ela, a LBA – Legião Brasileira de Assistência ajudava muito a comunidade.

Dados da COPASA indicam que o abastecimento de água chegou à vila em 1989 e o esgoto em 2004. Segundo dados da CEMIG, a comunidade recebeu energia elétrica no mês de abril de 1984.

Os moradores dizem que a vila já foi um lugar melhor para viver, com mais liberdade e menos violência. Ainda assim, confirmam que continuam gostando de morar na comunidade.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 28.454 m²
Localização: Regional Leste, ao lado do bairro Pompéia
Número de domicílios: 504
População total residente: 2.117 pessoas

Não foi possível apresentar outros dados da Vila São Rafael, pois a mesma está incluída dentro de um Setor Censitário que abarca grande área do bairro vizinho, comprometendo a veracidade das informações específicas sobre a comunidade.

VILA SENHOR DOS PASSOS

1. ORIGEM:

A Vila Senhor dos Passos está localizada na região Noroeste de Belo Horizonte, entre os bairros Lagoinha e Santo André, próximo ao centro da cidade. A vila passou a ter esse nome na década de 80, com a construção da Capela Nosso Senhor dos Passos, pertencente à Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Lagoinha. Segundo moradores mais antigos, a vila chamava-se “Buraco Quente”, devido às brigas freqüentes entre mulheres ciumentas. Até hoje alguns moradores se referem à vila dessa forma ou a chamam, apenas, de “Buraco”.

A Localidade onde se situa a vila era uma fazenda, de propriedade de um membro da família Mata Machado, que no início do século passado doou a área, uma mata aberta de fácil ocupação, para que a Igreja pudesse repassá-la às famílias pobres. Os documentos mencionam que os primeiros moradores ali se estabeleceram em meados do ano de 1914. A vila começou com duas pequenas casas e se expandiu gradualmente até chegar aos dias atuais com cerca de 1060 domicílios, sendo que 73% não possuem título de propriedade.

Até a década de 50, as condições de vida na vila eram muito precárias. Segundo moradores mais antigos, a estrutura local era muito precária, as ruas eram esburacadas e de terra, os caminhos feitos por trilhas, becos estreitos e o esgoto a céu aberto. A vila nessa época não possuía rede de abastecimento de água, sendo que os moradores utilizavam poços para conseguir água. Mais tarde foram construídos chafarizes em alguns pontos da vila, sendo o primeiro por volta de 1960. Os moradores acordavam muito cedo para buscar água e enfrentavam filas enormes. A energia elétrica era comumente obtida através de ligações clandestinas e os chamados “bicos de luz” ou “gatos”.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

As primeiras melhorias surgiram em 1956, através da Associação Sociedade Pró-Melhoramento, presidida por Chico Nascimento (Francisco Faria do Nascimento), um dos pioneiros do movimento comunitário em Belo Horizonte. Fundou também a União de Defesa Coletiva, na Pedreira Prado Lopes, e tornou-se presidente da União dos Trabalhadores Favelados de Belo Horizonte. Estas entidades trabalharam ativamente até 1964. Com o golpe militar, Francisco foi preso e o movimento existente, desarticulado.

A expansão da rede elétrica na vila foi iniciada na década de 70, o mesmo ocorreu com o abastecimento de água. Apenas na década de 90 e nos últimos anos foi iniciado o serviço de esgoto e saneamento no local e atualmente os serviços de infra-estrutura foram expandidos à quase toda a população. Hoje os moradores reclamam do transporte público que não percorre a vila, trafegando apenas no seu entorno.
A Vila já foi alvo do Programa Alvorada, desenvolvido pela URBEL e pela AVSI – Associação de Voluntários para o Serviço Internacional e tem em desenvolvimento o Programa Habitar Brasil – BID, em parceria com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

No início dos anos 90, alguns militantes da antiga Associação União Prado Lopes, reuniram-se para criar uma entidade específica da vila, sem vínculos com a Pedreira, o atual Movimento dos Moradores da Vila Senhor dos Passos. O movimento não tem sede própria na vila, mas seus dirigentes lutam por melhoramentos das condições na comunidade, através de parcerias com órgãos públicos e outras entidades.

Os moradores da Vila Senhor dos Passos criaram fortes laços comunitários entre si, e consideram a vila um bom lugar para viver, próximo ao centro da cidade, com acesso aos serviços públicos nas áreas de educação e saúde. Porém reclamam da falta de um centro cultural na vila, para que os muitos artistas residentes na comunidade possam desenvolver suas atividades.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 121.948 m²
Localização: Regional Noroeste, junto ao bairro Lagoinha
Número de domicílios: 833
População total residente: 3.138 pessoas

VILA SUMARÉ

1.ORIGEM:

Sumaré, uma espécie de orquídea que floresce sobre caules de palmeiras e árvores de grande porte, é palavra que dá nome a uma vila na Região Noroeste de Belo Horizonte. A história deste lugar começou na década de 1960, quando Belo Horizonte recebeu uma grande quantidade de pessoas vindas do interior do estado. De acordo com a URBEL - Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte, foi nesta época, em que o crescimento populacional ocorreu de forma mais desordenada e o processo de favelização foi mais intenso na cidade, que surgiu a Vila Sumaré.

Em 1961 começaram a chegar os primeiros moradores. Conta-se que entre 1956 e 1957 o desmatamento de eucaliptos facilitou a ocupação da área. Em apenas seis meses, o terreno já estava todo ocupado. O único conflito registrado foi expulsão de algumas pessoas, realizada pela cavalaria policial na época. Ainda assim, as pessoas expulsas se fixaram em outras partes da própria Vila.

Um levantamento para realização do Orçamento Participativo constatou que existe mais de uma versão para o início da ocupação da vila. A primeira conta que um alemão fugiu para o Brasil, após o fim da Segunda Guerra, e estabeleceu residência no local. Quando descobriram que ele era nazista, teve a casa queimada e foi obrigado a abandonar as terras. Outra versão diz que as terras pertenciam a dois irmãos, que se mudaram para São Paulo. Um ordenou-se padre e nunca mais voltou ao local e o outro faleceu, deixando as terras. Conta-se ainda que um senhor chamado Raimundo Drummond Abdala tentou usar a área como pasto e cercou grande parte dela. Colocou um empregado para evitar as constantes invasões, mas não teve sucesso.

Segundo depoimentos de moradores mais antigos, coletados para a elaboração do OP, um dos fatores que estimulou o processo de assentamento da Vila, foi a necessidade que as famílias tinham em fugir do aluguel. Alguns se apossavam de grandes áreas, fragmentando-as e dividindo-as entre os familiares ou vendendo a terceiros. Assim formaram-se grandes núcleos familiares. Havia uma absoluta carência de infra-estrutura básica: faltava água, luz, rede de esgoto, asfalto, calçamento e transporte. Os moradores, através de mutirão, buscavam soluções como podiam para se adaptar. A água era obtida de duas formas ou pela cisterna de uma residência, na Rua Santa Josefina, ou em uma mina que localizada às margens da BR. Comerciantes da região cediam “bicos” para o acesso a energia elétrica. O esgoto foi feito com tambores precários, que depois enferrujaram.

2. DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA:

As freiras da Ordem Clarissas Franciscanas, que atendiam a comunidade no Posto Médico do Instituto Sagrada Família, motivaram as pessoas a se organizar para conquistar melhorias. Padre Milton Tavares da Silva, pároco atuante na Vila desde 1980, incentivou a criação de uma associação de moradores. Ele acreditava que, coletivamente, atingiriam o objetivo de obter água, luz e rede de esgoto, necessidades principais da comunidade nesta época.

Informalmente, a associação iniciou as suas atividades em 1970, com pequenas reuniões realizadas nas casas dos moradores. A primeira Associação de Moradores da Vila Sumaré foi registrada em 1980. Num primeiro momento, a preocupação da entidade era tratar a questão do esgoto, que não foi totalmente solucionada até o momento. Segundo lideranças comunitárias, para canalizar uma pequena parte do esgoto, entre 1980 e 1982, foram utilizados mão-de-obra local e materiais doados por uma fabricante de refrigerantes, localizada na região.

De acordo com a URBEL, a mobilização popular pela conquista de infra-estrutura firmou-se com lideranças da Associação de Moradores da Vila Sumaré e através de convênios com algumas instituições: Prefeitura de Belo Horizonte – PBH / URBEL, SETAS e GTZ, pelo Pró-renda de Cooperação Técnica com contrato de Contribuição Financeira Brasil / Alemanha, representam alguns dos instrumentos que contribuíram para as conquistas de benefícios.

Entre as conquistas da comunidade, está a Creche Comunitária Vila Sumaré, que de 1975 a 1985 funcionou em uma casinha simples, mas com o trabalho conjunto entre Associação, moradores voluntários e um projeto da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais foi construída. A creche oferece regularmente educação e atividades lúdicas para crianças entre 0 a 5 anos, trabalhando a socialização das mesmas.

Ainda na área educacional, foi implantada a Escola Princesa Isabel, em 1966. Outro espaço de referência para a Vila Sumaré é o Centro de Acolhimento ao Menor Santa Inês, fundado em 1989, no Bairro Aparecida, para acolher crianças moradoras da Vila. Hoje, através de convênio com a PBH, o centro atende a 110 crianças e adolescentes. O atendimento médico é realizado no Centro de Saúde Ermelinda, criado em 1992 e localizado no Bairro Aparecida. Após seis anos, foi ampliado para comportar a demanda da população local, que cresceu rapidamente. Em 1998, foram criadas equipes para acompanhar os moradores em suas casas.

A Associação de Moradores da Vila Sumaré hoje é também um espaço destinado a grupos culturais, debates, reuniões, cursos e oficinas de artesanato, além de lutar pela solução de problemas que ainda estão presentes, como áreas de risco de deslizamentos e inundações. A implantação da rede de esgoto e construção de uma área de lazer ainda são conquistas a serem alcançadas. Além da luta social, a Associação busca, através da promoção de eventos, proporcionar cultura e lazer aos moradores. Um deles é o Arraiá do Juá, festa junina que realizada uma vez por ano e tem como atrações: apresentações de teatro, dança, grupos musicais e barraquinhas. Outro evento realizado no local é o “Tô na Mídia”, que acontece três vezes ao ano, com shows de grupos musicais, teatrais e de dança.

3. DADOS DEMOGRÁFICOS:

Área: 87.381 m²
Localização: Regional Nordeste
Número de domicílios: 359
População total residente: 1.508 pessoas
Taxa de alfabetização: 84,4% das pessoas acima de 5 anos
Esgotamento sanitário: 93,0% ligados à rede geral de esgoto ou pluvial
Abastecimento de água: 99,5% abastecidos através de rede geral
Coleta de lixo: 99,9% coletados por serviço de limpeza